Quebrando o silêncio da existência de Deus

( Dr. Craig: o mestre do debate, osso duro de roer)
As perguntas, por muitas vezes, causam situações embaraçosas quando são dirigidas a quem não está hábil a respondê-las. Algumas delas não se calam há mais de seis séculos, desde que o teólogo Tomás de Aquino começou a rabiscar argumentos para as seguintes: Deus existe? Quais são as evidências científicas? O que é o universo e qual o propósito de sua existência? Os anjos existem? Estas podem parecer complicadas, mas não para o Dr. William Lane Craig, professor e pesquisador de filosofia da religião na Escola de Teologia Talbot, na Califórnia. Depois de sua aparição, tais indagações se tornaram tema de inúmeros debates contra ateístas por todo o mundo.
Ao assumir as ciências teológicas e filosóficas, levantar argumentos para a existência de Deus se tornaria um exercício científico e religioso fundamental para Craig. Desde os 26 anos (1975), já era assíduo estudante de filosofia da religião. Segundo ele, o cristão não deve recusar lidar com as dúvidas. “Sempre haverá uma maleta de questões não-respondidas na estante. Eu encorajo as pessoas, em momento oportuno, a tirarem uma destas questões da maleta e pesquisar ao máximo até acharem uma satisfação intelectual para elas. Fiz isto com muitas questões, é uma das experiências mais saudáveis”, afirmou.
As evidências do seu intenso preparo, ao longo de anos, estão nos debates. Os argumentos e teses que levanta para afirmar a existência de Deus, desde 1991, ano do primeiro debate, são tão sólidos feito pedras que seus adversários raramente conseguem derrubá-los. Ao usar uma enorme habilidade retórica, costuma a enfraquecer o discurso dos seus opositores quando cometem erros lógicos e falham em apresentar ideias com clareza e fundamento científico. No debate tão esperado pelos seus fãs, com o tema O universo tem um propósito?, contra o biólogo ateísta Richard Dawkings, no México, final de 2010, Dr. Craig venceu por seu opositor não apresentar nenhum argumento válido contra suas teorias.
Em seu livro A desilusão de Deus (2007), Dawkings afirma ter um argumento central para a inexistência de uma entidade transcendente. Expõe que não se pode inferir um designer (criador) para o universo baseado na complexidade imanente do universo. De acordo com ele, esta premissa levaria a uma pergunta ulterior: quem desenhou o designer? O que evidenciaria uma complexidade biológica inexplicável.
Dr. Craig, para combater o livro, saiu pelos programas de TV dando entrevistas a respeito do fracasso de tais ideias. “É um argumento inepto! Filósofos da ciência defendem que para reconhecer que explicação (x) é a melhor, você não precisa de uma explicação da explicação (x). Suponha que os astronautas encontrassem uma pilha de máquinas escondida na lua, justificariam sobre a inferência de ser um produto de um design inteligente, mesmo que não tivessem uma ideia sequer de quem poderia produzi-lo ou como foi parar lá. O mesmo se aplica à complexidade biológica. Para reconhecer que o design inteligente é a melhor explicação para esta complexidade, não precisamos explicar o designer”, argumentou.
A revolução que Craig causou na esfera acadêmica da filosofia torna seu trabalho tão histórico, que causa náuseas aos novos ateístas. De fato, em toda história, nunca houve um homem tão desesperado para evidenciar a existência do seu Criador. Quando questionado sobre os atuais ateístas, no programa canadense The Michael Coren Show, declarou: “Os livros que neo-ateístas como Harris, Dawkings e Hitchens estão produzindo não são intelectualmente sofisticados, são apenas livros irados contra a religião. Como filósofo, diria que é um constrangimento”.
A carreira do pesquisador não apenas se tornou formidável pelos debates, muito mais surpreendente foi após ter confrontado (1998) com um dos maiores filósofos ateístas britânicos da história, Antony Flew, na Universidade de Wisconsin. Os dois gigantes debateram sobre a existência de Deus diante de 4.000 estudantes.
Em 2010, o mundo assistiria um acontecimento histórico: Flew assumira, pouco antes de morrer, uma posição teísta da ciência ao analisar a intrincada complexidade do DNA. Tal postura colocou 50 anos de sua carreira antiteológica nas profundezas do abismo. Seu artigo mais popular, Teologia e falsificação, tinha sido a publicação filosófica mais reimpressa do último século. Contudo, ele finalizou sua carreira com um livro polêmico, cujo título deu urticárias em seus ex-companheiros apologetas, Um ateu garante: Deus existe (2007).
Evidências
Os argumentos que evidenciam a presença de um Criador para o universo são, de costume, citados por William Lane Craig no início dos seus debates. Eles são:
- Contingência – Por que as coisas existem em lugar do nada. Deus seria a melhor explicação para este questionamento.
- Kalam Cosmológico – Deus sendo a melhor explicação para a origem do universo em algum tempo passado. Ele traria o mundo à existência a partir do nada como único sujeito do verbo criar. Salienta que não é possível haver uma regressão infinita de causas para as coisas existentes.
- Design – aperfeiçoamento notável ou fino ajuste (fine-tuning, em inglês) das condições iniciais do universo para uma vida inteligente.
- Moral – Deus como a melhor explicação para valores e deveres morais objetivos existentes no mundo.
- Ontológico – Este argumento complementa os outros. Infere que a possibilidade da existência de Deus implica-o como realidade. Isto é, se uma inteligência criadora transcendente é possível, logo ela existe.
- Experiência pessoal – Para este argumento, o filósofo acredita que aqueles que buscam a Deus, além de encontrarem evidências suficientes de sua existência, descobrirão um relacionamento pessoal com Ele pela fé.
Obras
O professor Craig já publicou mais de 30 livros. Os principais e mais comentados são: O argumento Kalam Cosmológico (1979). Assessing the New Testament Evidence for the Historicity of the Resurrection of Jesus (Acessando a evidência do Novo Testamento para a historicidade da ressurreição de Jesus, 1989); Divine Foreknowledge and Human Freedom (Presciência divina e liberdade humana, 1990); Theism, Atheism and Big Bang Cosmology (Teísmo, ateísmo e Big-bang cosmologia, 1995) ; and God, Time and Eternity